O Problema da Igualdade
O que a doutrina espírita nos ensina sobre a questão da igualdade?
Todos nós buscamos a igualdade de direitos, mas poucos procuram a igualdade de deveres. Dessa forma, nota-se a permanência dos velhos interesses do ser humano egoísta e orgulhoso.
“811. Será possível e já terá existido a igualdade absoluta das riquezas?
Não; nem é possível. A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres.
a) - Há, no entanto, homens que julgam ser esse o remédio aos males da sociedade. Que pensais a respeito?
São sistemáticos esses tais, ou ambiciosos cheios de inveja. Não compreendem que a igualdade com que sonham seria a curto prazo desfeita pela força das coisas. Combatei o egoísmo, que é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras.”
Precisamos compreender a questão conforme nos explicam os Espíritos na resposta à questão 811 de O Livro dos Espíritos: todo Espírito, encarnado ou desencarnado, possui divergências de valores, princípios, opiniões e ideias, pois cada um é um indivíduo, com seus próprios sonhos, buscas e experiências. Não há igualdade absoluta de pensamento, de ideais ou de princípios. Embora todos nós, um dia, venhamos a buscar o mesmo ideal, quando atingirmos a condição evolutiva dos Espíritos de segunda ordem da escala espírita, ainda assim manteremos opiniões diferentes sobre um mesmo assunto, pois cada Espírito é um ser individual, marcado por experiências e compreensões que lhe são próprias.
Se colocarmos duas pessoas vivendo as mesmas situações, 24 horas por dia, ambas enxergarão essas situações de formas diferentes, pois cada uma possui um grau distinto de entendimento e de vivência. Não há como existir igualdade de pensamento entre dois Espíritos que experimentam, à sua maneira, os desafios da vida.
Para alguns, determinada situação será uma expiação; para outros, uma provação. Embora busquemos a igualdade em muitos aspectos da vida, esquecemo-nos de que cada indivíduo possui seus próprios anseios. Mesmo que lhes sejam concedidos os mesmos direitos e deveres, cada um os experimentará e vivenciará de forma diferente.
Emmanuel nos ensina que a igualdade absoluta é uma utopia, algo impossível de se realizar. Pode haver uma igualdade relativa, mas, muitas vezes, as vantagens de alguns poderosos sobrepujam a igualdade que deveria existir para todos.
“A igualdade, sem dúvida, é realidade nas raízes da existência. Todos os seres possuem direitos idênticos de acesso à elevação, sob qualquer prisma, entretanto, é preciso considerar que os deveres graduam as vantagens, dentro da vida. No caminho da evolução, desse modo, a teoria igualitária absoluta é invariável utopia que nenhum sistema político poderá materializar.” – Livro: Trilha de Luz, Emmanuel
Vemos no mundo pessoas poderosas que se colocam acima da lei, sendo que esta, de fato, só vigora para aqueles que estão abaixo delas. Todos obedecem às leis que criam, mas elas próprias não. Essa é mais uma forma de evidenciar que a igualdade absoluta não prospera.
O mesmo ocorre nas questões financeiras. Se todas as pessoas do mundo, sem exceção — dos mais ricos aos mais pobres — somassem todos os recursos monetários e riquezas e os dividissem pelo número da população mundial, cada um teria o mesmo valor. Contudo, com a movimentação financeira, a desigualdade retomaria seu curso. Imagine que eu compre sua casa, que estava à venda, e lhe pague cem mil reais. No mês seguinte, você já não terá mais esse valor, pois uma nova divisão terá ocorrido.
Por fim, se em uma sala de aula o professor colocasse em prática a igualdade absoluta, reuniria todas as notas e as dividiria pela quantidade de alunos. Aqueles que estudaram teriam suas notas reduzidas, enquanto os que não estudaram talvez ganhassem alguns pontos a mais do que obtiveram na prova. No entanto, perceber-se-ia que, ao final do ano, todos seriam reprovados se não estudassem. Essa experiência, inclusive, já foi realizada na prática.
Notamos, dessa maneira, que nenhuma forma que tenhamos tentado ou venhamos a tentar gerará igualdade absoluta aqui na Terra, no plano físico. No mundo espiritual, a igualdade absoluta também não existe: a cada um é dado segundo suas obras. Essa é a Lei Divina.
Precisamos meditar que tudo de que necessitamos já está no Evangelho, e que os Espíritos vieram apenas reforçar esses ensinamentos. É preciso estudar e refletir mais, para que possamos compreender melhor as Leis de Deus. Por mais que os homens tentem burlar a Lei Divina, a Justiça Divina sempre nos direciona para o caminho correto.
Léon Denis afirma que a igualdade está na origem e não no destino, pois este cada um faz o seu próprio:
“Todos os seres partem do mesmo ponto e marcham para o mesmo fim, mas não caminham com a mesma rapidez.” – Livro: Depois da Morte
Ele também complementa sobre a questão das desigualdade sociais que é uma questão humana e não divina, pois cada ser marcha a seu tempo em busca da própria evolução.
“A desigualdade das condições humanas tem sua razão de ser na diversidade dos graus evolutivos das almas” Livro: O Problema do Ser do Destino e da Dor