Espiritismo na Prática

Divulgando o Evangelho de Jesus

Judas Iscariotes Segundo o Espiritismo

Judas Iscariotes Segundo o Espiritismo

Autor: Jeferson Souza      Publicação: 23/10/2020 22:06      Views: 103      Comentários: 0 

Qual é a visão do Espiritismo em relação a Judas Iscariotes e qual é a opinião do próprio Judas em relação a "traição"?

Todos nós Cristãos conhecemos a passagem biblíca em que o amigo, seguidor e apóstolo do Cristo entrega Jesus aos seus algozes, porém, antes do fato, Jesus revela o ato aos seus díscipulos:

"E aconteceu que, quando Jesus concluiu todos estes discursos, disse aos seus discípulos:
Bem sabeis que daqui a dois dias é a páscoa; e o Filho do homem será entregue para ser crucificado.

Mateus 26:1,2"

Todas as fases da vida de Jesus já estavam escritos antes mesmo Dele vir a Terra, e encontramos essas passagens nos profetas do Velho Testamento, principalmente em Isaias e Zacharias.

Segundo o Evangelho de Mateus, nos revela que Judas havia vendido Jesus por trinta moedas de prata e que depois sabendo que havia sido enganado tentou resgatar Jesus devolvendo as moedas, não conseguindo, este se enforca por estar profundamente arrependido.

"Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos,
Dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo.
E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar.

Mateus 27:3-5"

Jesus desde o princípio sabia que seria traído, pois havia muitas passagens do Velho Testamento que anunciavam a crucificação do Cristo e Jesus afirma isto em Mateus:

"E eis que um dos que estavam com Jesus, estendendo a mão, puxou da espada e, ferindo o servo do sumo sacerdote, cortou-lhe uma orelha.
Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão.
Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?
Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?

Mateus 26:51-54"

"Mas tudo isto aconteceu para que se cumpram as escrituras dos profetas. Então, todos os discípulos, deixando-o, fugiram.

Mateus 26:56"

Essa foi a participação de Judas na prisão de Jesus, porém, como pudemos ver nas próprias escrituras Judas não desejava de maneira alguma que seu Mestre Amado fosse morto, e por confiar nas mentiras do Sinédrio  que tramavam o tempo todo contra o Cristo, ele, Judas, também fora traído por estes.

No Espiritismo encontramos diversas passagens sobre Judas, e a aquela que gostaria de comentar se refere a entrevista que Humberto de Campos fez com Judas e nos relatou através do médium mineiro Francisco Cândido Xavier na obra "Crônicas de Além Túmulo". Faremos algumas referências ao capítulo quinto da obra. Pergunta Humberto de Campos e logo em seguida Judas Iscariotes responde:

"É uma verdade tudo quanto reza o Novo Testamento com respeito à sua personalidade na tragédia da condenação de Jesus?


- Em parte... Os escribas que redigiram os evangelhos não atenderam às circunstâncias e às tricas políticas que acima dos meus atos predominaram na nefanda crucificação. Pôncio Pilatos e o tetrarca da Galiléia, além dos seus interesses individuais na questão, tinham ainda a seu cargo salvaguardar os interesses do Estado romano, empenhado em satisfazer as aspirações religiosas dos anciãos judeus. Sempre a mesma história. O Sanedrim desejava o reino do céu pelejando por Jeová, a ferro e fogo; Roma queria o reino da Terra. Jesus estava entre essas forças antagônicas com a sua pureza imaculada. Ora, eu era um dos apaixonados pelas ideias socialistas do Mestre, porém o meu excessivo zelo pela doutrina me fez sacrificar o seu fundador. Acima dos corações, eu via a política, única arma com a qual poderia triunfar e Jesus não obteria nenhuma vitória. Com as suas teorias nunca poderia conquistar as rédeas do poder já que, no seu manto de pobre, se sentia possuído de um santo horror à propriedade. Planejei então uma revolta surda como se projeta hoje em dia na Terra a queda de um chefe de Estado. O Mestre passaria a um plano secundário e eu arranjaria colaboradores para uma obra vasta e enérgica como a que fez mais tarde Constantino Primeiro, o Grande, depois de vencer Maxêncio às portas de Roma, o que aliás apenas serviu para desvirtuar o Cristianismo. Entregando, pois, o Mestre, a Caifás, não julguei que as coisas atingissem um fim tão lamentável e, ralado de remorsos, presumi que o suicídio era a única maneira de me redimir aos seus olhos."

Vemos nestas palavras de Judas que acreditava ele que a visão de Jesus era muito pura para a época, e que Ele não conseguiria atingir o propósito sem estar em evidência no cenário político e social da época. Tinha uma visão do mundo, mas não enxergava e não entendia a visão espiritual e moral de Jesus.

Logo Humberto de Campos o interroga:

"E chegou a salvar-se pelo arrependimento?

- Não. Não consegui. O remorso é uma força preliminar para os trabalhos reparadores.
Depois da minha morte trágica submergi-me em séculos de sofrimento expiatório da minha falta. Sofri horrores nas perseguições infligidas em Roma aos adeptos da doutrina de Jesus e as minhas provas culminaram em uma fogueira inquisitorial, onde imitando o Mestre, fui traído, vendido e usurpado. Vítima da felonia e da traição deixei na Terra os derradeiros resquícios do meu crime, na Europa do século XV. Desde esse dia, em que me entreguei por amor do Cristo a todos os tormentos e infâmias que me aviltavam, com resignação e piedade pelos meus verdugos, fechei o ciclo das minhas dolorosas reencarnações na Terra, sentido na fronte o ósculo de perdão da minha própria consciência."

Neste trecho, Judas comenta de seus sofrimentos posteriores a ação do suicídio, e que suas vidas sucessivas foram de expiações sofrendo perseguições de despotadas romanos e inquisidores cristãos. Judas também reforça que o seu auto-perdão se dá por volta do século XV, reencarnação essa que foi revelada por diversos expositores espíritas de conduta respeitável, entre eles, Divaldo Franco, como sendo a personagem francesa Joanna D'Arc.

Respondendo a um comentário de Humberto de Campos, responde Judas:

"E está hoje meditando nos dias que se foram... - pensei com tristeza.

...Vejo-O ainda na Cruz entregando a Deus o seu destino...

Sinto a clamorosa injustiça dos companheiros que O abandonaram inteiramente e me vem uma recordação carinhosa das poucas mulheres que O ampararam no doloroso transe... Em todas as homenagens a Ele prestadas, eu sou sempre a figura repugnante do traidor... Olho complacentemente os que me acusam sem refletir se podem atirar a primeira pedra... Sobre o meu nome pesa a maldição milenária, como sobre estes sítios cheios de miséria e de  infortúnio. Pessoalmente, porém, estou saciado de justiça, porque já fui absolvido pela minha consciência no tribunal dos suplícios redentores.


Quanto ao Divino Mestre – continuou Judas com os seus prantos – infinita é a sua misericórdia e não só para comigo, porque se recebi trinta moedas, vendendo-O aos seus algozes, há muitos séculos Ele está sendo criminosamente vendido no mundo a grosso e a retalho, por todos os preços em todos os padrões do ouro amoedado...


- É verdade – concluí – e os novos negociadores do Cristo não se enforcam depois de vendê-lo. "

Dessa forma, vemos que conclui Judas comentando que é alvo de imcompreensão e injustiça, porque não entendemos os própositos mais profundos de Judas quando entregara Jesus aos sacerdotes, e que, nós cristãos, não enxergamos que Judas tinha um sonho, equivocado certamente, porém buscava auxiliar o ministério de Jesus, pois tinha uma visão de mundo e não entendia verdadeiramente a missão do Cristo.

Porém, Judas o traiu uma vez, mas nós, ditos cristãos, "fieis incondicionais" da palavra do Cristo Jesus, o vendemos diariamente, o traimos todos os dias, fazendo tudo ao contrário, muitas vezes consciente do equivoco, que por orgulho, vaidade e egoísmo, para não sermos mal visto pelo mundo e sua sociedade imoral assim agimos.

É comum, muito comum mesmo, sempre procurarmos um bode expiatório ou alguém para culpar nossas faltas, e na crucificação denominamos Judas como sendo o "traidor", porém, e hoje? Não vamos pior do que trair o Mestre todos os dias?

Culpar Judas por traição? Porquê? Podemos culpar, julgar e apontar o dedo, entregando sobre os ombros de Judas todos os anos a culpa por sua falha?

As escrituras foram cumpridas, Jesus sabia de sua missão na Terra, amou Judas, assim como ama a todos nós. Não somos melhores que Judas, na minha opinião, Judas fez muito pouco para merecer o título de traídor, acredito que nós somos traidores e merecemos esse título, por termos melhores condições de discernimento sobre os ensinamentos de Jesus, mas somos cegos na Fé, na confiança em Deus e no testemunho de nosso Amor a Jesus.

Muita paz!

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Em complemento ao tema indico que assistam esses vídeos:

Qual era o plano do Apóstolo Judas Iscariotes - Haroldo Dutra Dias

Judas reencarnou como Joana D'Arc? - Divaldo Pereira Franco

Haroldo Dutra Dias - E Maria resgatou Judas!

Chico Xavier: Judas foi traidor ou tentou salvar Jesus?

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