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Mediunidade - Vidência

Mediunidade - Vidência

Autor: Jeferson Souza      Publicação: 07/11/2019 20:21      Views: 510      Comentários: 0 

Quais são as características e a aparência dos Espíritos que se apresentam aos médiuns. A vidência pode ser produzida pela vontade do médium ou do Espírito?

Antes de iniciar o nosso singelo estudo sobre a mediunidade de vidência queremos afirmar que a nossa base de estudo para este artigo é a segunda obra básica da doutrina espírita: "O Livro dos Médiuns", basicamente aplicado ao capítulo 14 - Dos Médiuns.

Quando tratamos do tema mediunidade de vidência estamos abordando a faculdade de visualizarmos "Espíritos", tanto em estado de vigília quanto no fenômeno do desdobramento. Logo entenderemos que não é possível para nós Espíritos imperfeitos não conseguimos ver Espíritos, devido a nossa vibração grosseira, sendo o Espírito invisível para todos nós, dessa maneira, é bom esclarecermos que nós não vemos os Espíritos, mas sim o seu corpo sutil grosseiro e que se assemelha ao nosso corpo físico que é o Perispírito.

Dessa forma, quando somos detentores da faculdade da vidência temos a capacidade mediúnica de visualizarmos entidades espirituais, e raro é quando nós conseguimos perceber a presença destas entidades, devido a nossa dificuldade de se aproximar da vibração destes, mas esta aproximação não é suficiente, pois é necessário ser dotado desta faculdade não física, que é sentida no seu Perispírito e não pelos olhos físicos.

"O médium vidente acredita ver pelos olhos, como os que tem a dupla-vista, mas na realidade é a alma que vê, e por essa razão eles tanto vêem com os olhos abertos ou fechados. Dessa maneira, um cego pode ver os Espíritos como os que têm visão normal."

Algumas manifestações de vidência ocorre de forma natural e passageira, muito comum na infância, fase em que estamos no processo de esquecimento das existências pretéritas, dessa forma, é comum, as crianças detentoras dessa capacidade passageira da mediunidade de vidência relatar aos seus pais seus amigos espirituais.

"É raro que esta faculdade seja permanente , sendo quase sempre o resultado de uma crise súbita e passageira."

Essa faculdade pode ocorrer em algumas ocasiões, como o sonambulismo, podemos incluir a dupla vista e também , porém muito raro, quando a mesma é própria do médium, pelo mesmo estar desperto para as coisas do mundo espiritual e por ter uma missão a cumprir, que esta criatura pode ou não aceitar.

Há algumas aparições ditas acidentais, mas planejadas pela Espiritualidade amiga que prepara o seu tutelado para que receba certas mensagens, esteja desperto no corpo ou através de desdobramento, para avisar de perigos, dar conselhos, etc... assim como é comum visualizarmos desencarnados amigos e familiares no processo da passagem da vida física para a vida espiritual.

"Devemos distinguir as aparições acidentais e espontâneas da faculdade propriamente dita de ver os Espíritos. As primeiras ocorrem com mais frequência no momento da morte de pessoas amadas ou conhecidas, que vêm advertir-nos de sua passagem para o outro mundo."

Nestes casos, não podemos chamá-los de médiuns videntes, pois podemos classificar como médiuns dotadas dessa faculdade, aqueles que tem a visão permanente ou frequente, bem como definiu Kardec na segunda obra básica.

"A faculdade consiste na possibilidade, senão permanente, pelo menos frequente, de ver os Espíritos que se aproximam, mesmo que estranhos. É essa faculdade que define o médium vidente"

No item 171 da presente obra, temos a seguinte advertência da seriedade do estudo e da prática da mediunidade de vidência:

"A faculdade de ver os espíritos pode sem dúvida se desenvolver, mas é uma dessas faculdades cujo desenvolvimento deve processar-se naturalmente, sem que o provoque, se não se quiser expor-se às ilusões da imaginação. Quando temos o germe de uma faculdade, ela se manifesta por si mesma. Devemos, por princípio, contentar-nos com aquelas que Deus nos concedeu, sem procurar o impossível. Porque então, querendo ter demais, arrisca-se a perder o que se tem.

Quando dissemos que os casos de aparições espontâneas são frequentes (nº 107), não quisemos dizer que sejam comuns. Quanto aos médiuns videntes, propriamente ditos, são ainda mais raros e temos muitas razões para desconfiar dos que pretendem ter essa faculdade. É prudente não lhes dar fé senão mediante provas positivas. Não nos referimos aos que alimentam a ridícula ilusão dos Espíritos-glóbulos, de que tratamos no nº 108, mas aos que pretendem ver os Espíritos de maneira racional."

"107. As aparições no estado de vigília não são raras nem constituem novidade. Verificam-se em todos os tempos. A História oferece-nos grande número de casos. Mas sem remontar ao passado, encontramo-las com frequências nos nossos dias. Muitas pessoas as tiveram e as tomaram, no primeiro instante, pelo que se convencionou chamar de alucinações. São frequentes sobretudo nos casos de morte de pessoas distantes, que vêm visitar parentes e amigos. Muitas vezes não tem um objetivo claro, mas podemos dizer que em geral os Espíritos que assim aparecem são atraídos por simpatia. Que examine cada um as suas lembranças e verá que são poucos os que não conhecem fatos dessa espécie, cuja autenticidade não se poderia por em dúvida."

            "108. Acrescentaremos às considerações precedentes o exame de alguns efeitos ópticos que deram lugar ao estranho sistema dos Espíritos glóbulos.

            Nem sempre o ar está inteiramente límpido. É então que as correntes de moléculas aeriformes e sua movimentação, produzida pelo calor, se tornam perfeitamente visíveis. Algumas pessoas tomaram isso por  conjuntos de Espíritos agitando-se no espaço. Basta-nos mencionar esta opinião para a refutar..."    

Kardec comenta sobre os item 107 e 108, que correspondem ao capítulo 6 - Manifestações visuais da segunda obra básica, e neste capítulo iremos separar algumas perguntas que Kardec fez aos Espíritos.

2. Os Espíritos que se manifestam pela visão pertencem a uma determinada categoria?

            —  Não; podem pertencer a todas as categorias, das mais elevadas às mais inferiores.

3. É permitido a todos os Espíritos manifestarem-se visivelmente?

            — Todos o podem, mas nem sempre tem a permissão nem o desejo de fazê-lo.

12. Aquele que vê um Espírito poderia conversar com ele?

            — Perfeitamente. E é justamente o que se deve fazer nesse caso, perguntando quem é o Espírito, o que deseja e o que se  pode fazer por ele. Se o espírito for infeliz e sofredor, o testemunho de comiseração o aliviará. Se for um Espírito benévolo, pode acontecer que tenha a intenção de dar bons conselhos.

15. As pessoas que vemos em sonho são sempre as que aparentam ser?

             — São quase sempre as mesmas pessoas que o teu Espírito vai encontrar ou que te vêm encontrar.

16. Os Espíritos zombadores não poderiam tomar a aparência das pessoas que nos são caras e nos iludirem?

            — Tomam aparências fantasiosas para se divertirem a vossa custa, mas há coisas com as quais não lhes é permitido brincar.

18. Por que certas visões são mais frequentes nas doenças?

            — Elas ocorrem igualmente no estado de perfeita saúde, mas na doença os laços materiais se afrouxam e a fraqueza do corpo deixa mais livre o Espírito, que entra mais facilmente em comunicação com outros Espíritos.

22. Os que vêem os Espíritos o fazem com os olhos?

            — Eles pensam que sim, mas na realidade é a alma que vê. A prova é que podem vê-los de olhos fechados.

 23. Como o Espírito pode tornar-se visível?

            — O princípio é o mesmo de todas as manifestações e está nas propriedades do perispírito, que pode sofrer diversas modificações, à vontade do Espírito. 

24. O Espírito propriamente dito pode fazer-se visível ou só o faz com a ajuda do perispírito?

            — Na vossa situação material o Espírito só pode manifestar-se com a ajuda do seu invólucro semimaterial. É este o intermediário pelo qual eles agem sobre os vossos sentidos. Graças a esse invólucro é que eles aparecem algumas vezes com a forma humana ou outra qualquer, seja nos sonhos ou no estado de vigília, assim a plena luz como na obscuridade.

27. Todos são aptos a ver os Espíritos?

            — Durante o sono, todos. Mas não quando estão acordados. No sono, a alma vê diretamente; quando estais acordados ela sofre em maior ou menor grau a influência dos órgãos. Eis porque as condições não são as mesmas nos dois casos.

28. Como podemos ver os Espíritos em estado de vigília?

            — Isso depende do organismo, da facilidade maior ou menor do fluido do vidente de se combinar como o do Espírito. Assim, não basta o espírito querer mostrar-se; é também necessário que a pessoa a quem se quer mostrar tenha a aptidão para vê-lo.

29. Essa faculdade pode desenvolver-se pelo exercício?

            — Pode, como todas as outras faculdades. Mas é daquelas cujo desenvolvimento natural é melhor do que o provocado, quando corremos o risco de superexcitar a imaginação. A visão geral e permanente dos espíritos excepcional e não pertence às condições normais do homem

OBS: Se você aprecia o tema, deveria estudo o capítulo 6 na integra.

Allan Kardec explica de forma simples, mas objetiva como é a aparição de um desencarnado na maioria das vezes.

"As aparições propriamente ditas ocorrem no estado de vigília, no pleno gozo e completa liberdade das faculdades da pessoa. Apresentam-se geralmente com uma forma vaporosa e diáfana, algumas vezes vaga e indecisa. Quase sempre, a princípio, é um clarão esbranquiçado, cujos contornos vão se desenhando aos poucos. De outras vezes as formas são claramente acentuadas, distinguindo-se os menores traços do rosto, a ponto de se poder descrevê-las com precisão. As maneiras, o aspecto, são semelhantes aos do Espírito quando encarnado.

Podendo tomar toda as aparências, o Espírito se apresenta com aquela que melhor o possa identificar, se for esse o seu desejo. Assim, embora não tenha, como Espírito, nenhum defeito corporal, ele se mostra estropiado, coxo, corcunda, ferido, com cicatrizes, se isso for necessário para identificá-lo."

Allan Kardec comenta um pouco mais sobre as características da aparição dos Espíritos pela vidência.

"Dissemos que a aparição tem algo de vaporoso. Em alguns casos poderíamos compará-la à imagem refletida num espelho sem aço, que apesar de nítida deixa ver através dela os objetos detrás. É geralmente assim que os médiuns videntes a distinguem. Eles as vêem ir e vir, entrar num apartamento ou sair, circular por entre a multidão com ares de quem participa, ao menos os Espíritos vulgares, de tudo o que se faz ao seu redor, de se interessarem por tudo e ouvirem o que diz. Muitas vezes se aproximam duma pessoa para lhe assoprar ideias influenciá-la, quando são Espíritos bons, zombar dela, quando são maus, mostrando-se tristes ou contentes com o que obtiverem. São, em uma palavra, a contraparte do mundo corporal.

O Espírito que deseja ou pode aparecer reveste algumas  vezes uma forma ainda mais nítida, com todas as aparências de um corpo sólido, a ponto de dar uma ilusão perfeita  e fazer crer que se trata de um ser corpóreo. Em alguns casos, e dentro de certas circunstâncias, a tangibilidade pode tornar-se real, o que quer dizer que podemos tocar, palpar, sentir a resistência e o calor de um corpo vivo, o que não impede a aparição de se esvaecer com a rapidez de um relâmpago. Nesses casos, já não é só pelos olhos que se verifica a presença, mas também pelo tato."

O Perispírito é o principal veículo em que a mediunidade se manifesta, pois é o corpo sutil mais grosseiro que o nosso Espírito possui, pois como vimos anteriormente, neste artigo, o médium e o Espírito precisam ter uma combinação ou uma ligação vibratória para que haja a comunicação entre eles, e pela proximidade vibratória, o Perispírito é o veículo apropriado para esta manifestação.

"O perispírito, como se vê, é o princípio de todas as manifestações. Seu conhecimento nos deu a chave de numerosos fenômenos, permitindo um grande avanço à Ciência Espírita e fazendo-a entrar numa nova senda, ao tirar-lhe qualquer resquício de maravilhoso."

OBS: Vale muito a pena estudar o capítulo 6  inteiro, não se esqueça  de estudar a TEORIA DA ALUCINAÇÃO, excelente tema.

Então, chegamos ao final do nosso artigo, embora, tenhamos apenas comentado superficialmente o tema, futuramente, voltaremos a ele.

Muita paz!

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